A Lei do Retorno (Lei nº 5710/1950) é uma legislação atípica que foi promulgada quando da criação do Estado de Israel, visando permitir à imigração judaica e o regresso dos exilados a recém-criada pátria judaica. Basicamente, a Lei do Retorno declara o direito de todo o “judeu” imigrar ao Estado de Israel.

A atipicidade desta legislação está vinculada a expressão da conexão entre o povo Judeu e sua terra de origem, vez que determina a possibilidade imigratória dos judeus que vivem no exílio para Israel. Instituida no ano de 1950 pelo Parlamento Israelense (Knesset), a Lei do Retorno declara que Israel constitui um lar não apenas para os habitantes do Estado, mas também para todos os membros do povo judaico dispersado pelo mundo, independentemente destes viverem em estado de pobreza ou riqueza ou ainda sob efetiva ameaça de perseguições e intolerância religiosa. Assim, o judeu que desejar se naturalizar como cidadão israelense poderá requerer este benefício legal, enquanto os estrangeiros de origem não judaica, em situação idêntica, têm de recorrer à legislação ordinária de imigração israelense.

De acordo com publicações emitidas pela Agência Judaica, para se obter a cidadania israelense é necessário:

1) ser Israelense (ainda que professando outro credo, como cristianismo ou islamismo) ou;
2) ser Filho de israelense, ou;
3) ter imigrado para Israel e residido de modo ininterrupto por 12 meses;

Mas, o que é ser judeu, para fins da Lei do Retorno?

O judaísmo é uma das religiões mais antigas do mundo, estando, de acordo com a sua contagem oficial, no ano de 5773. Segundo a definição clássico-religiosa presente no Antigo Testamento, judeu é todo aquele nascido de um ventre judaico ou que passa por uma rigorosa conversão. Portanto, trata-se de uma definição de caráter religioso, não havendo qualquer ligação com a nacionalidade atual da pessoa interessada em residir em Israel. Em sua evolução jurídica, este definição passou a adotar um novo elemento, a não participação deste em outra religião organizada: “Um judeu é uma pessoa que nasceu de mãe judia, ou que se converteu ao Judaísmo e que não faça parte de outra religião organizada.”

Mas esta definição era bastante genérica e após grandes levas migratórias na década dos anos 80, em especial de indivíduos oriundos da extinta União Soviética a Israel, um conceito claro se fez necessário. Nascido de uma fusão entre o entendimento religioso e o civil, surgiu o conceito de que: “Terá direito a requerer cidadania israelense, com base na Lei do Retorno todo judeu e descendente de judeu até o terceiro grau, assim como seus cônjuges.”

O fato curioso acerca desta definição foi o estabelecimento do critério “descendência até terceiro grau”. Este critério não era inédito, tampouco próprio de Israel, vez que fora emprestado do regime nazista alemão, que durante a Segunda Guerra Mundial ao instituir o regime de exclusão e extermínio sistemático dos judeus determinou que seria judia aquela pessoa que possuísse descendência judaica até terceiro grau. Assim, passou-se a existir graus diversos para definir o Judeu.

O primeiro grau seria aplicável a aquela pessoa nascida de mãe judia. Aos descendentes deste “judeu de primeiro grau” também foi garantido o direito ao pleito sob a Lei do Retorno, passando estes descendentes a ser “classificados” como judeus em segundo grau. Nesta mesma classificação foi equiparado o judeu convertido ao judaísmo, vez que o mesmo não poderia ser de primeiro grau, por ter nascido de uma mãe não-judia, mas sem qualquer diferenciação quanto aos demais.

Nesta categoria se enquadravam também aqueles descendentes de judeus pelo lado paterno, ou seja, os filhos de pai judeu. Como o homem não passa o judaísmo, os filhos e/ou netos de um homem judeu, são considerados descendentes de judeu de segundo ou terceiro graus, respectivamente. Com relação aos judeus convertidos, nova controvérsia surgiu, vez que as diferentes correntes filosóficas judaicas, em especial as mais ortodoxas, podem ou não reconhecer a conversão de determinada pessoa, em especial se oficializada por entidades liberais ou modernas. De toda sorte, o judeu convertido têm direito a imigrar para Israel, após alguns anos da oficialização de sua conversão. Este direito também, como dito, é estendido ao cônjuge de pessoa judia com mais de um ano de casamento.

Prova de judaísmo?

Durante o processo efetivo de pedido de cidadania com base na Lei do Retorno o candidato terá de apresentar um documento denominado “certidão de judaísmo”. O judeu ou filho de judeu praticante pode solicitar este documento (certidão ou declaração) junto a uma sinagoga, instituição religiosa ou entidade sionista, arcando com os custos correspondentes a emissão deste documento.

Outro elemento de prova disponível, em especial para pessoas não praticantes é o registro de sepultamento em cemitério judaico de um avô, avó ou bisavó (mãe da sua avó) ou ainda mediante documento de vínculo deste ao judaísmo, desde que em linha reta até o terceiro grau, como um passaporte, certificado de maioridade judaica, por exemplo.

O outro lado da moeda…

Considerando a natureza jurídica atípica da Lei do Retorno, bem como as relações conflituosas entre Israel, os palestinos e os estados árabes vizinhos, Egito, Jordânia, Síria e Líbano não tardou o surgimento de críticas a esta legislação. Estas críticas caracterizam a Lei do Retorno como sendo de natureza discriminatória, vez que tocam em um ponto sensível, a religião, enquanto determinam direitos civis e sociais próprios a aqueles de religião judaica em relação aos demais indivíduos. O fato é que a lei existe e vige a mais de 60 anos e ao Estado soberano cabe definir a sua politica imigratória, construindo e aprovando normas através do seu aparelho legislativo da forma que melhor lhe aprouver.

Mauricio Flank Ejchel é Advogado em São Paulo, especializado em Direito do Trabalho, Direito Civil e Internacional. Bacharéu em direito, formado em 1996 pela Pontificia Universidade Católica do Estado de São Paulo tem se destacado como advogado consultor e na atividade contenciosa, representando empresas nacionais e estrangeiras, sendo sócio do escritório de advocacia M F Ejchel Advocacia e Consultoria Juridica. Maiores informações e contatos poderão ser obtidos através do site: www.advogasse.com.br

7 respostas

  1. Trabalham com documentação de cidadania brasileira a filhos e netos de brasileiros nascidos e residentes no Líbano?

  2. Boa tarde !

    Sou brasileiro (50 anos), meus tataravós eram judeus sefarditas (Portugal).

    Gostaria de saber:

    1) se tenho direito a obter dupla cidadania de Israel.

    2) qual o custo de todo o processo

    3) se vocês providenciam todos os documentos, ou se eu preciso me ausentar do meu trabalho para isso.

    Desde já, agradeço sua orientação !

    1. Bom dia Láwrence, a príncipio, se compilada a documentação jurídica internacional suficiente para demonstrar a sua linhagem judaica internacional, você poderá submeter um pedido jurídico formal através deste advogado internacional para o Estado de Israel para reconhecimento dos seus direitos jurídicos daí decorrentes, até obter a dupla cidadania em ambos os países, em Israel e no Brasil.

      Note que a nossa advocacia internacional tem obtido bons resultados jurídicos no Exterior em diversos países no mundo, o que ajudará bastante ver o reconhecimento do seu direito internacional.

      O serviço de advocacia internacional que prestamos compreende a preparação legal do pedido internacional e, se necessário, a obtenção das certidões estrangeiras no Exterior para a instrução de sua causa de direito internacional.

      Em relação ao seu caso jurídico de direito internacional em particular, necessito agendar uma consulta internacional prévia contigo, seja presencial em nosso escritório em São Paulo, via WhatsApp ou Skype. Nesta consulta com especialista em direito internacional teremos a oportunidade de realizar a análise jurídica do seu caso, a metodologia advocatícia internacional de trabalho jurídico, tempo do caso internacional e os custos do processo jurídico internacional.

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      Obrigado pela oportunidade de ajudá-lo com seu caso de direito internacional!

      Maurício Ejchel
      Advogado Internacional

    1. Olá Daniella, tudo bem?

      Na qualidade de advogado internacional, tenho como ética profissional sempre orientar que se declare a verdade dos fatos. Note que o processo de Aliá será analisado pelo Estado de Israel, que avalia internacionalmente todos os peticionários interessados em imigrar para o país. De toda a sorte, o processo de imigração está aberto para pessoas de todas as fés indistintamente, desde que sejam pessoas corretas, trabalhadoras, que se identifiquem com a sociedade israelense e que busquem uma vida de paz e crescimento. Por isto, o direito internacional estimula a busca pela imigração e como advogado especializado no direito internacional eu lhe dou duas dicas:

      1 – Declare sempre a verdade em qualquer procedimento internacional que esteja realizando. Atualmente todos os dados informados são checados e se for identificada qualquer discrepância, o seu pedido será sumariamente negado.

      2 – Não se prenda no aspecto de declarar sua cristã. Aliás, os cristãos são muito bem vindos em Israel, berço da religião. O mesmo se dá para TODAS as demais fés.

      3 – IMPORTANTE – O país Israel incentiva a imigração, sempre buscando o crescimento de sua população.

      Minha conclusão como advogado especialista em direito internacional é que siga adiante com o preenchimento do questionário embasado 100% na verdade e desejo que o seu pedido seja aceito e que tenha uma boa vida na Terra de Israel.

      Dr. Mauricio Ejchel
      Advogado Internacional

      advogado internacional

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